O concurso da Dataprev entrou em uma nova fase decisiva. Com as inscrições homologadas, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou o número final de candidatos e a concorrência de cada cargo. Ao todo, 49.291 pessoas confirmaram participação na seleção, patamar que coloca a disputa por uma vaga na empresa pública federal de tecnologia em um nível que exige estratégia, e não apenas volume de estudo.
Para quem está na corrida, o dado mais importante não é o total de inscritos, mas a distribuição dessas candidaturas. A concentração varia muito conforme o cargo e a cidade escolhida, o que significa que dois candidatos com a mesma nota podem ter chances bastante diferentes, a depender do local em que concorrem.
Onde está a maior e a menor concorrência
O cargo que reuniu o maior número de candidatos foi Desenvolvimento de Software, na localidade de João Pessoa (PB), com 4.259 inscritos e concorrência de 42,59 candidatos por vaga. Na sequência aparece Administração e Governança, no Rio de Janeiro (RJ), com 2.866 inscritos e a maior relação de disputa entre os dados divulgados: 71,65 candidatos por vaga.
Na outra ponta, Segurança Cibernética e Proteção de Dados, em Natal (RN), registrou apenas 67 inscritos e concorrência de 13,40 candidatos por vaga, a menor relação entre os números apresentados pela banca.
Chama atenção o comportamento de algumas cidades fora do eixo Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Natal (RN) e Florianópolis (SC) aparecem com volumes altos em Desenvolvimento de Software, o que indica migração de candidatos para polos de tecnologia com custo de vida menor e disputa historicamente menos acirrada em outras carreiras.
Inscritos por cargo e localidade
| Cargo | Localidade | Inscritos |
|---|---|---|
| Análise de Negócio de TI | Brasília (DF) | 1.822 |
| Análise de Negócio de TI | Rio de Janeiro (RJ) | 334 |
| Análise de Negócio de TI | São Paulo (SP) | 275 |
| Análise de Negócio de TI | Fortaleza (CE) | 173 |
| Análise de Negócio de TI | João Pessoa (PB) | 315 |
| Análise de Negócio de TI | Natal (RN) | 99 |
| Análise de Negócio de TI | Florianópolis (SC) | 164 |
| Arquitetura, Engenharia e Sustentação Tecnológica | Brasília (DF) | 1.307 |
| Arquitetura, Engenharia e Sustentação Tecnológica | Rio de Janeiro (RJ) | 762 |
| Arquitetura, Engenharia e Sustentação Tecnológica | São Paulo (SP) | 553 |
| Arquitetura, Engenharia e Sustentação Tecnológica | Fortaleza (CE) | 92 |
| Arquitetura, Engenharia e Sustentação Tecnológica | João Pessoa (PB) | 148 |
| Arquitetura, Engenharia e Sustentação Tecnológica | Natal (RN) | 77 |
| Arquitetura, Engenharia e Sustentação Tecnológica | Florianópolis (SC) | 92 |
| Desenvolvimento de Software | Brasília (DF) | 1.098 |
| Desenvolvimento de Software | Rio de Janeiro (RJ) | 730 |
| Desenvolvimento de Software | São Paulo (SP) | 615 |
| Desenvolvimento de Software | Fortaleza (CE) | 2.283 |
| Desenvolvimento de Software | João Pessoa (PB) | 4.259 |
| Desenvolvimento de Software | Natal (RN) | 2.189 |
| Desenvolvimento de Software | Florianópolis (SC) | 2.497 |
| Inteligência da Informação | Brasília (DF) | 642 |
| Inteligência da Informação | Rio de Janeiro (RJ) | 338 |
| Inteligência da Informação | São Paulo (SP) | 209 |
| Inteligência da Informação | Fortaleza (CE) | 523 |
| Inteligência da Informação | João Pessoa (PB) | 941 |
| Inteligência da Informação | Natal (RN) | 501 |
| Inteligência da Informação | Florianópolis (SC) | 491 |
| Segurança Cibernética e Proteção de Dados | Brasília (DF) | 925 |
| Segurança Cibernética e Proteção de Dados | Rio de Janeiro (RJ) | 560 |
| Segurança Cibernética e Proteção de Dados | São Paulo (SP) | 500 |
| Segurança Cibernética e Proteção de Dados | Fortaleza (CE) | 97 |
| Segurança Cibernética e Proteção de Dados | João Pessoa (PB) | 360 |
| Segurança Cibernética e Proteção de Dados | Natal (RN) | 67 |
| Segurança Cibernética e Proteção de Dados | Florianópolis (SC) | 235 |
| Gestão de Serviços de TIC | Brasília (DF) | 959 |
| Gestão de Serviços de TIC | Rio de Janeiro (RJ) | 1.774 |
| Gestão de Serviços de TIC | São Paulo (SP) | 1.120 |
O que esses números mudam na sua preparação
A primeira consequência prática é abandonar a ideia de que todo cargo de TI tem a mesma disputa. A diferença entre 13,40 e 71,65 candidatos por vaga é grande o suficiente para redefinir prioridades de estudo. Em cargos com concorrência mais baixa, acertar as questões de peso passa a ter um efeito proporcional maior na nota final, porque cada ponto separa menos gente.
A segunda consequência é que o corte por localidade pesa tanto quanto o corte por cargo. Candidatos com flexibilidade para concorrer em polos como Natal, Fortaleza ou Florianópolis podem encontrar cenários de disputa mais favoráveis em carreiras específicas, enquanto Brasília e Rio de Janeiro concentram os maiores volumes em praticamente todas as áreas.
Análise do Nota Máxima
Com o quadro de inscritos fechado, a prova deixa de ser uma incógnita de demanda e passa a ser um problema de desempenho. O volume total de 49.291 candidatos indica que o concurso da Dataprev segue como um dos mais procurados da área de tecnologia no serviço público federal, mas a distribuição interna mostra que a briga real acontece em poucos cargos e poucas cidades.
Para quem ainda está na fase de preparação, o momento pede revisão de rota. Vale conferir se o cargo escolhido está entre os mais concorridos, reforçar as disciplinas com maior peso na prova e treinar com questões no formato da banca. Adaptar o ritmo de estudo ao nível de concorrência do seu cargo é mais eficiente do que estudar o mesmo bloco de conteúdos para todos os cenários possíveis.
Por onde começar a estudar
Em concursos de tecnologia organizados por bancas de grande porte, a base se repete: língua portuguesa, raciocínio lógico e matemático, conhecimentos específicos de TI divididos por área de atuação, além de noções de administração pública, legislação aplicada e governança de tecnologia. Dentro dos específicos, os blocos que costumam render mais questões são desenvolvimento de software, banco de dados, engenharia de software, segurança da informação, infraestrutura e gestão de serviços.
A recomendação é dividir a rotina em três frentes: revisão teórica de curta duração pela manhã, resolução de questões à tarde e revisão dos erros à noite. Cargos com concorrência alta exigem margem de acerto maior, então a análise de desempenho por disciplina deve ser feita semanalmente, e não apenas na reta final.
Quem quer transformar esses números em um plano concreto de estudo encontra no Nota Máxima trilhas, questões e simulados organizados por banca e por cargo, com foco no que realmente é cobrado na prova. Ajuste o cronograma ao seu nível de concorrência e use o tempo que resta até a aplicação para chegar ao dia da prova com margem de segurança, não com esperança.